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Bisinha
– em memória de Lea Maneo, querida Bisa. —
Canção para a missa da Bisa
.
Bisinha eu pensei em você a noite todinha,
e logo que raiô o dia
me veio essa cantoria.
.
Bisinha eu nunca vi meu pai
assim tão injuriado
bisinha, ele sente saudade,
mas eu sinto você aqui do nosso lado.
. Olha, Bisa, que linda a família que a gente tem
. Olha, agora , todos reunidos por teu bem.
.
Bisinha, ha pouco eu lhe trouxe
ou mimos do Rio de Janeiro
e lá eu pensei em você,
ai á, eu penso em você
ai, a gente pensa eu você
o dia inteiro.
.
Bisinha a gente guarda no peito
teu jeito doce, a tua calma,
tua pele clara
e tão macia,
e a sua estrela nos guiará
no todo o dia.
by the sea
São Paulo, 24 de agosto de 2010
———
Hoje fiz uns reparos num vestido meio velho,
que não usava desde a gravação do primeiro disco,
justamente pelos furos que hoje consertei.
Eis que visto o pano e meto, logo, as mãos nos bolsos.
E me fincam, entre as unhas e a carne,
grãos de areia.
E me consome um arrepio.
.
Penso que eu nasci
pra viver by the sea.
conseguimos!
hoje, recebi um email do Twitter, após ter seguido todas as instruções, enviado todos os fax e documentos que me pediram.
Conseguimos, amigos, o twitter fake foi, definitivamente, arruinado!
uhu! ( abaixo, o email)
TheCaptain, Aug 17 10:34 am (PDT):
Hello,
Thank you for providing this information. We have removed the reported profile from circulation due to violation of our Terms of Service regarding impersonation. Your faxed ID has been shredded.
Thanks,
TheCaptain
Twitter Trust and Safety
twitter verdadeiro
amigos,
voltei a tentar escrever no twitter.
eis o meu original, (além do versinhos, alimentado pela equipe) no qual EU mesma escrevo: https://twitter.com/malluautoral
quem puder, ajude a falir o fake!
twitter fake
http://twitter.com/mallu_magalhaes
eis o twitter fake… quem seguir ou souber quem segue, por favor informe.
poxa, lamentável.
poema a mãezinha ( numero um )
Mãezinha minha,
porque me fez assim,
passarinho?
Porque não leão,
que sempre quis ser,
ou qualquer outro
de rugido alto,
corpo forte,
rei da floresta,
ou de qualquer lugar…
Mas,
Já que me fez,
inevitavelmente, voadora,
porque não gaveão, mamãe?
Ou qualquer outro de bico duro,
de olhos rígidos,
dono do vôo,
ou do caminhar?
.
É,
não me fez urubu, mãezinha,
olha, eu nem sei ser bicho áspero.
E
não me fez Bem-te-vi,
olha, eu nem sei ser bicho despótico.
Mas
Fez-me, quando pequeninha, Uirapuru,
olha, eu bem sei ter voz de flauta doce.
.
Pois é, mamãe,
você criou uma espécie macia,
que canta como pode,
que vive onde dá,
que voa com vontade,
que tem as patinhas do pai,
que não larga do outro ovo que nasceu dois anos antes,
que foge do escuro,
que está extinto e único,
que enxerga meio mal com os olinhos
mas mais que bem com o coração.
.
Pois é,
mamãe,
você criou um novo tipo de bichinho,
cuidou,
e chamou de Maria Luiza.
adultar
costumava eu,
sentir claro e frequente,
pequenos saltos de existência,
hora criança,
hora adulto.
.
faz tempo que não pulo.
.
será que adultei de vez?
.
ou será que minha existência é uma fusão de tais,
e agora só me resta pular,
no mesmo pé,
no mesmo ponto,
pra cima, apenas,
pular pro céu?
Girassóis
Ha tempos sonhava, ela, com o dia que (quase) todas, elas, sonham. Já planejara o vestido branco e escolhera as rendinhas, a flor no cabelo, as fitas e as luzinhas. Mas ha mais tempos ainda, sonhara com tal dia avivado em girassóis.
Acontece que tinha, ela, ouvidos e, portanto, medos. Não dela, não nascidos nela, mas que s’engavetavam e sombreavam-lhe o peito, vindo da boca dos outros. Veio, um desses dias, nesta, a aflitiva idéia de que o dito dia depositava ao casal um peso que lhes machuca e lhes arrisca a vida leve e eterna d’amores.
Tendo como mais valiosa essa sua paixão que, inclusive, já lhe preenchera bons 4 anos, decidiu deixar dissolver ao vento a vontade do casório e viver o junto, e pronto.
Mas não, não morreu nela, nas próximas dezenas de anos as rendas, a flor de cabelo, as fitas, as luzinhas e, muito menos, os girassóis. Mas foi ela assassina do peso de não tê-lo feito. Matou devagarinho, bem devagarinho, o arrependimento de não ter vivido “o” dia.
Matou-o todos as manhãs, com os carinhos na pele daquele que disse sim.
Matou-o todas as tardes com as fitas que amarrou pela casa.
Matou-o todas as noites, com as luzinhas que pendurou nas paredes.
Matou-o todas as madrugadas, com os beijos de sim que dava na boca do homem qu’ela jurou e quis cuidar.
Matou-o toda semana, quando comprava, no fim da descida, depois do canal, quase na praia, uns girassóis que cultivava com água e sonhos realizados.
Viveu, ela, todos os dias, o dia, com vários homens, num só. Escolhia-o, casavam, embaraçavam as coisas, escolhia-o de novo e casavam. Quantas vezes quisessem, quantos lados quisessem um d’outro.



